DO BLOG http://albumdeviagens.blogspot.com.br/2013/10/sarajevo-quatro-religioes-e-uma-cidade.html?showComment=1420939143621
Marcelo Schor
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Vista de Sarajevo, com a Torre do
Relógio e a Mesquita Gazi Husrev-beg
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Sarajevo entrou para a história como uma cidade cosmopolita, onde quatro
religiões - católica, cristã ortodoxa, islâmica e judaica - conviviam em
harmonia, o que lhe rendeu o apelido de "Jerusalém dos Bálcãs". Durante
a década de 80, a cidade atingiu seu apogeu, sendo palco das Olimpíadas de
Inverno de 1984. A bonança acabou abruptamente com a guerra iniciada em 1992.
Uma das cidades mais atingidas, viu sua população decair de 435.000 para os
atuais 320.000 habitantes, dos quais 70% seguem o islamismo.
A capital da
Bósnia fica incrustada num vale rodeado pelos Alpes Dináricos e possui uma
forma comprida e estreita. Entramos na cidade por uma avenida longuíssima, o Bulevar,
e já começamos a ver as marcas da guerra diante de nossos olhos. Esta via foi
apelidada durante anos como "Avenida dos Franco-Atiradores" - como
está cercada por montanhas nos dois lados, era alvo dos atiradores sérvios que
se entrincheiravam no alto do morro durante o cerco, mirando em quem se
atrevesse a mover na rua. Vários prédios altos da época socialista se localizam
nas margens da avenida, e a maioria ainda apresenta as marcas de balas e
projéteis maculando as suas fachadas. Uma característica triste de Sarajevo que
salta aos olhos é a enorme quantidade de cemitérios, tanto cristãos quanto
muçulmanos, alguns gigantescos.
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Um dos edifícios cravejados de bala
no Bulevar
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As tropas sérvias impuseram a Sarajevo um dos
cercos mais longos da história recente, entre 1992 e 1995. Durante muitos
meses, a cidade ficou isolada e se viu privada de mantimentos. A salvação foi a
construção de um túnel secreto com 800 m de extensão e 1,5 m de largura por
baixo das pistas do aeroporto, ligando a cidade a território seguro fora do
cerco e por onde passavam mantimentos e munição para a população sitiada. Parte
deste túnel está aberto hoje a visitação, onde se pode apreciar toda a sua
história num museu sediado na casa em cujo porão o túnel termina. Meio
atordoado com as histórias que tinha ouvido nos dias anteriores, resolvi não
visitá-lo; preferi passear a pé pela cidade no meu tempo livre e não me
arrependi, tamanha a diversidade cultural que encontrei.
Os templos principais das duas outras
religiões se localizam na parte de arquitetura austro-húngara do centro, ainda
a poucas quadras de distância do Sebilj: a Catedral do Sagrado
Coração, em estilo neogótico na rua comercial de pedestres, Ferhadija, e a Igreja Ortodoxa da Sagrada Mãe, erigida em 1868 na praça principal.
Nesta praça se encontra uma estátua cujo nome achei genial por representar o
que é o país - o Homem Multicultural.